Pular para o conteúdo principal

LGBT - Homossexualidade descriminalizada em todo o espaço lusófono

Créditos Paulete Matos





A edição mais recente do estudo “Homofobia de Estado” (2017), da ILGA, traça o quadro jurídico mundial das relações homossexuais, revelando que estas deixaram de ser penalizadas nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Contudo, há ainda um longo caminho a percorrer no que toca a proteção e reconhecimento. Em junho de 2019, Angola já tinha legalizado a Associação Íris Angola, que defende a causa LGBT.

Com a aprovação do novo Código Penal de Angola, deixou de haver ordenamentos jurídicos dos países lusófonos que ordenem a detenção de quem tenha relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. As novas regras não apenas descriminalizam estas relações como criminalizam a discriminação em função da orientação sexual. Estas penas podem ir até dois anos e inclui-se aqui a discriminação laboral.

Em Moçambique, em 2014, o parlamento aprovou uma lei que aboliu as disposições que criminalizavam as relações homossexuais (constavam do Código Penal português de 1886). Esta lei entrou em vigor em 2015, mas desde 2007 que havia uma lei que oferecia proteção no emprego.

Em Cabo Verde, as relações homossexuais foram despenalizadas em 2004. O Código Laboral de 2008 proíbe os empregadores de pedirem informações sobre a vida sexual dos funcionários e sanciona os despedimentos baseados na orientação sexual.

Na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe, quase não há medidas de proteção ou de reconhecimento, razão pela qual as medidas legislativas se resumem quase exclusivamente à descriminalização.

Na Guiné Equatorial, não há disposições legais específicas sobre atos sexuais consensuais entre adultos do mesmo sexo.

A Constituição do Brasil não contém qualquer proibição explícita baseada na orientação sexual, embora haja jurisdições dentro do país que o fazem.

No Brasil, muitas das medidas de penalização ou despenalização das relações entre pessoas do mesmo sexo são tomadas ao nível estadual.

Em Portugal, as relações homossexuais foram despenalizadas com a revisão do Código Penal de 1983. Em 2005, a Constituição estabeleceu a igualdade e a não discriminação em função da orientação sexual. Em 2009, o Código do Trabalho passou a proteger a orientação sexual e a identidade de género no acesso ao trabalho. Em 2017, a orientação sexual passou a ser encarada como um fator agravante nos casos de homicídio. Também foi tipificado enquanto crime a incitação ao ódio homofóbico. Em 2010, foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2016, os casais de pessoas do mesmo sexo passaram a ter os mesmos direitos de adoção que os casais de pessoas de sexos diferentes.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisa indica as 38 melhores empresas para profissionais LGBTQIA+ trabalharem - créditos CNN

  Pesquisa indica as 38 melhores empresas para profissionais LGBTQIA+ trabalharem Mais de 100 organizações nacionais e multinacionais atuantes no Brasil aderiram ao estudo Estudo fez uma análise abrangente sobre a adoção de políticas inclusivas relacionadas a pessoas LGBT+ em empresas @dwell_in/unsplash Jessica Brasil Skroch, do Estadão Conteúdo 10/06/2022 às 21:44 Compartilhe: Ouvir notícia Uma pesquisa divulgada na quinta-feira (9) selecionou as 38 melhores  empresas  para pessoas  LGBTQIA+  trabalharem no Brasil. Em sua primeira edição, o estudo “Melhores Lugares para Trabalhar para Pessoas LGBTQIA+ 2022” foi realizado pelo Instituto Mais Diversidade em parceria com o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e a Human Rights Campaign Foundation (HRC), que realiza, nos Estados Unidos, o Índice de Igualdade Empresarial desde 2002. PUBLICIDADE O estudo fez uma análise abrangente sobre a adoção de políticas inclusivas relacionadas a pessoas LGBTQIA+ em empresas de div...

LGBTQIA+ --- 25ª Parada Livre de Porto Alegre acontece no próximo domingo (5) na Redenção - créditos Sul21

 Foto: Luiza Castro/Sul 21 LGBTQIA+   --- 25ª Parada Livre de Porto Alegre acontece no próximo domingo (5) na Redenção. Após dois anos, o evento volta às ruas da Capital com o tema “Contra o ódio, luta! Essa bandeira é de todes”. Última edição aconteceu em dezembro de 2019. Foto: Luiza Castro/Sul21. Em sua edição de número 25, a Parada Livre de Porto Alegre acontece neste domingo, 5 de junho, no Parque da Redenção. A manifestação e ato cultural inicia ao meio-dia com apresentações artísticas e segue até às 22h em palco montado próximo ao espelho d’água. Este ano, parte do financiamento do evento vem do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o banco Santander, pelo fechamento da exposição “Queermuseu: cartografias da diferença”, em setembro de 2017. “Os conservadores que provocaram esse episódio, um dos maiores escândalos de censura às artes no nosso país, não imaginavam que na verdade gerariam uma reação...

Androginia cerebral: por que quebrar normas de gênero pode melhorar a saúde mental - Matéria da BBC

Androginia cerebral: por que quebrar normas de gênero pode melhorar a saúde mental Barbara Jacquelyn Sahakian, Christelle Langley, Qiang Luo & Yi Zhang The Conversation* Há 7 horas CRÉDITO, GETTY IMAGES Legenda da foto, Pesquisas recentes apontaram que o cérebro também pode ser andrógino Em espaços como a publicidade, costuma-se presumir que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes. Mas, claro, todos nós conhecemos pessoas andróginas, que têm uma mistura de traços que são considerados, de modo estereotipado, masculinos ou femininos. É importante ressaltar que essa "androginia psicológica" há muito tempo é associada a características como melhor flexibilidade cognitiva (a capacidade mental de alternar entre tarefas ou pensamentos diferentes), competência social e saúde mental. Mas como isso está relacionado ao cérebro? As pessoas que são mais andróginas em seu comportamento vão contra sua natureza biológica, fazendo coisas para as quais seus cérebros não são otimi...