Pular para o conteúdo principal

Transfobia é crime? Conheça o entendimento do STF

 

Transfobia é crime?

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está sendo acusado de transfobia após ter discursado com uma peruca e dito que se sentia uma mulher transsexual na Câmra; conheça o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o que configura crime de transfobia

Bandeira que representa a comunidade trans.
Bandeira que representa a comunidade trans.Pexels

Fernanda Pinottida CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está sendo acusado de transfobia após ter colocado uma peruca e dito que se sentia uma mulher transsexual durante seu discurso na Câmara dos Deputados. Segundo o parlamentar, desta forma ele teria “lugar de fala” para discursar no Dia Internacional da Mulher.

Ministério Público Federal (MPF) pediu a apuração do ocorrido pela Câmara dos Deputados, e deputados do PSOL, PDT e PSB pediram a cassação do seu mandato.

Na representação contra Ferreira, os deputados afirmam que, “como é possível depreender da fala do deputado, o conteúdo de seu discurso tem caráter ofensivo e criminoso, uma vez que direcionado a manifestar discriminação e ridicularizar pessoas transexuais e travestis”.

Na manifestação do MPF também se destaca: “É repugnante um congressista usar as vestes da imunidade parlamentar para, premeditadamente, cometer crime passível de imputação a qualquer cidadão ou cidadã.”

Transfobia é crime?

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela criminalização da homofobia e da transfobia, que passaram a ser enquadradas pela Lei de Racismo. Na decisão, a Corte definiu como crime condutas que “envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém”.

A pena pode ir de um a três anos de prisão, além de multa. E pode chegar a até cinco anos de reclusão se houver divulgação ampla do ato.

A decisão ainda fez a ressalva de que a repressão penal por homofobia ou transfobia não restringiria nem limitaria o exercício da liberdade religiosa. Ou seja, fiéis e ministros de qualquer religião podem pregar e divulgar suas convicções religiosas, desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio – que incita a discriminação, hostilidade ou violência contra essas pessoas.

A Corte ainda explicita que a decisão de enquadrar os crimes na Lei de Racismo se deve ao conceito de racismo compreendido em sua dimensão social, enquanto uma construção histórico-cultural motivada para justificar a desigualdade entre aqueles que integram algum grupo vulnerável, neste caso a comunidade LGBTQIA+.

“Por não pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de proteção do direito”, diz o documento.

Nikolas Ferreira disse, em seu discurso na Câmara, que as mulheres estariam “perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”. E que “eles estão querendo colocar uma imposição de uma realidade que não é a realidade”.

O parlamentar disse ainda que sabia correr o risco de ir para a cadeia por transfobia por ter parabenizado apenas as “mulheres [com cromossomos] XX” pelo Dia da Mulher. “É uma imposição. Ou você concorda com o que eles estão dizendo, ou caso contrário você é um transfóbico, homofóbico e preconceituoso”, falou.

A justificativa para aqueles que acusam o deputado de crime de transfobia é a que ele teria discriminado mulheres transsexuais em seu discurso apenas por elas serem transexuais.

Os reflexos da transfobia

O Brasil foi, em 2022, o país que mais assassinou pessoas trans no mundo pelo 14º ano consecutivo.

Um levantamento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostrou que 131 pessoas trans foram mortas no país no ano passado. E outras 20 cometeram suicídio por conta da discriminação e do preconceito que sofriam.

A maioria dessas vítimas tinha entre 18 e 29 anos, e a média de expectativa de vida de pessoas transexuais no Brasil é de apenas 35 anos.

Dos 131 assassinatos, 130 foram cometidos contra mulheres transexuais e 76% das vítimas eram negras ou pardas.

O levantamento ainda ressalta que, entre as vítimas, a prostituição é a fonte de renda mais frequente, já que transsexuais encontram menos oportunidades de emprego.

 

Créditos CNN

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisa indica as 38 melhores empresas para profissionais LGBTQIA+ trabalharem - créditos CNN

  Pesquisa indica as 38 melhores empresas para profissionais LGBTQIA+ trabalharem Mais de 100 organizações nacionais e multinacionais atuantes no Brasil aderiram ao estudo Estudo fez uma análise abrangente sobre a adoção de políticas inclusivas relacionadas a pessoas LGBT+ em empresas @dwell_in/unsplash Jessica Brasil Skroch, do Estadão Conteúdo 10/06/2022 às 21:44 Compartilhe: Ouvir notícia Uma pesquisa divulgada na quinta-feira (9) selecionou as 38 melhores  empresas  para pessoas  LGBTQIA+  trabalharem no Brasil. Em sua primeira edição, o estudo “Melhores Lugares para Trabalhar para Pessoas LGBTQIA+ 2022” foi realizado pelo Instituto Mais Diversidade em parceria com o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e a Human Rights Campaign Foundation (HRC), que realiza, nos Estados Unidos, o Índice de Igualdade Empresarial desde 2002. PUBLICIDADE O estudo fez uma análise abrangente sobre a adoção de políticas inclusivas relacionadas a pessoas LGBTQIA+ em empresas de div...

LFS LGBTQIA+ Dia Internacional das Drag Queens: a arte que desafia padrões - créditos CNN

  Dia Internacional das Drag Queens: a arte que desafia padrões Artistas ganharam espaço na música, mas ainda enfrentam preconceitos Artista Drag Quen, DaCota Monteiro Reprodução / DaCota Monteiro Ingrid Oliveira Rafael Câmara da CNN Em São Paulo 16/07/2022 às 04:30 Compartilhe: Ouvir notícia Neste sábado (16) é celebrado o Dia Internacional das  Drag Queens . A data visa dar visibilidade para o movimento cultural que  quebra padrões  e luta por liberdade. Ao contrário do que se pensa, ser drag queen não tem relação com identidade de gênero ou orientação sexual. Fazer drag queen é uma arte, uma cultura — e qualquer pessoa pode mergulhar nesse universo. PUBLICIDADE O movimento surgiu no teatro em uma época em que mulheres eram proibidas de interpretar papéis femininos. Dessa forma, os homens tinham essa função. Isso ganhou outro patamar na década de 1960, quando as drags passaram a ser vistas como movimento cultural. Leia mais “Hoje temos mais espaço e oportunidades”,...

LFS LGBTQIA+ Política Vereador mais votado de SP propõe 3 projetos de lei transfóbicos em 3 dias. Créditos Victoria Bechara/UOL

  LFS LGBTQIA+   Política Vereador mais votado de SP propõe 3 projetos de lei transfóbicos em 3 dias.  Créditos Victoria Bechara/UOL, leia mais: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/01/17/vereador-mais-votado-pavanato-propoe-3-pls-contra-pessoas-trans-em-3-dias.htm       -‐------------ * Participe do nosso grupo LFS LGBTQIA+ no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/HrJkFrgejR93ASrRfey236 -‐------------